Arquivo mensais:março 2015

Dez razões para fazer o RRT

A conscientização dos arquitetos e urbanistas sobre a importância do Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) de suas atividades junto ao CAU vem crescendo a cada ano, em especial nas áreas de projeto e construção. Mesmo assim, é inegável a existência de dúvidas sobre os RRTs e o número de registros emitidos está abaixo da realidade do mercado, o que prejudica os profissionais, seus contratantes e a sociedade como um todo.

O RRT é uma exigência legal, decorrente da Lei 12.378/2010, que regulamentou a profissão de arquiteto e urbanista e criou o CAU/BR e os CAU/UF. O documento em si tem por objetivo identificar o responsável pela atividade técnica, bem como as principais características do empreendimento, obra ou serviço. Sua importância, porém, é bem maior.

Vejamos 10 razões.

Para o profissional o RRT é importante porque:
• Comprova a existência de uma relação com a obra ou serviço em realização;
• Define o limite das responsabilidades, respondendo o profissional apenas pelas atividades que executou;
• O registro pode ser utilizado como peça (prova) para instruir eventuais processos judiciais;
• É instrumento de comprovação de vínculo com as empresas contratantes, pois os profissionais podem efetuar o registro de desempenho de cargo ou função técnica;
• O RRT garante a formalização do acervo técnico do profissional e da empresa, elemento importante para comprovação da capacidade técnico-profissional em licitações e contratações em geral. A Certidão de Acervo Técnico (CAT) é fornecida a partir da baixa do RRT, ao final da conclusão dos serviços.

Para contratante e a sociedade em geral o RRT:

• Garante a fiscalização da atividade pelo CAU;
• Proporciona segurança técnica e jurídica, pois comprova que o serviço está sendo executado por um profissional legalmente habilitado e em situação regular com o Conselho profissional e leis vigentes;
• Serve como um instrumento de defesa, pois formaliza o compromisso do profissional com a qualidade técnica dos serviços prestados;
• Em caso de sinistros, identifica individualmente os responsáveis, auxiliando na confrontação das responsabilidades junto ao Poder Público;
• Auxilia no levantamento e verificação do efetivo exercício da Arquitetura e Urbanismo no país, viabilizando a formação de um banco de dados importantes para o planejamento e futuras ações como maior entrosamento do ensino com o mercado de trabalho e dimensionamento da importância do setor no PIB nacional.

Fonte: CAU/BR

A Psicologia, a felicidade e a Arquitetura – parte 2

Continuando nossa série de artigos sobre a Psicologia da Felicidade aliada à Arquitetura e Design de Interiores, hoje traremos o tópico “A preferência pela simetria”.

A Preferência pela Simetria

Atualmente, na neurociência muito se fala em cérebro recompensado com padrões, o que provavelmente deu origem foi nosso profundo vínculo com a natureza.

Se formos olhar a obra da natureza através de um ponto de vista biológico, percebemos que tudo é proporcional, tudo é equilibrado, tudo tem sua razão de ser, tudo se encaixa perfeitamente, tudo tem uma função bem específica dentro do todo, dentro do cosmo.

E trazendo mais para dentro da mente do ser humano em relação à sua morada, a regularidade e a ordem parecem sinalizar boas condições para a vida, tanto no âmbito da atração por um parceiro sexual quanto pela escolha de um lugar adequado para se viver, a existência de formas ordenadas e padronizadas parecem sinalizar confiabilidade.

As estações do ano seguem planejadas, simétricas, cada qual com quatro meses, sequenciais umas das outras, trazendo os ciclos da vida, a semeadura, o manejo, a colheita e o recolhimento. O mesmo se dá com a Lua, nos lindo satélite, que com suas voltas em relação ao planeta Terra, resulta nas fases da Lua, que através do magnetismo, das polaridades entre os planetas pertencentes ao mesmo Sistema Solar, exercem diversas influências sobre nós, como já foi provado cientificamente há tempos.

Da mesma forma, nosso cérebro se vincula com a atração por coisas simétricas, equidistantes, pessoas com corpos proporcionais, etc. Nosso cérebro tende a interpretar um corpo simétrico e bem proporcionado com genes mais saudáveis. Não estamos afirmando aqui que o contrário disso seja significado de falta de saúde, doença ou desequilíbrio.

Assim, simetria, ordem, equilíbrio e proporção, do ponto de vista evolutivo, parecem estar associados a uma impressão de que no longo prazo, tudo possa ser confiável, produtivo e seguro.

Traçando um paralelo com o décor, não é a toa que ambientes com arrumação simétrica nos parecem mais aprazíveis. Disposição e cores de paredes, composição com tapetes, mobiliário, luminárias, janelas, cortinas, portas, quadros, objetos cuidadosamente colocados nas superfícies, todos elementos de decoração que segue um padrão, seja de cor, textura, forma, tamanho, etc., parece agradar aos nossos olhos.

Na foto do ambiente abaixo, podemos reconhecer a simetria na composição do ambiente: disposição do mobiliário em pares: poltronas off-white com duas almofadas brancas e cinzas. Na parede onde estão dispostas as poltronas, compondo no padrão de estampa, cor e textura, papel de parede cinza e quadro branco, com os mesmos tons das almofadas. Nas duas mesas, espelhadas, os padrões mencionados acima se repetem pela imagem refletida pelo espelho, além de duas estátuas, dois potes de cerâmica branco e azul…

arina araujo simetria na decoração traz bem estar aos olhos e sensação aprazívelProjeto Arina Araújo

Duas taças de prata (mesmo material de alguns dos objetos sobre a mesa, na foto anterior) contendo o mesmo tipo de vegetação…

arina araujo simetria na composição do décor traz a sensação de prazer aos olhos

 

arina arauto decoração simetria e bom gosto no décor
Simetria nos objetos de decoração

arquiteta arina araujo decoradora de interiores projetos com bom gosto e proporção, simetria e garantia na entrega da obra final
O conjunto da obra: simetria, proporção, padrões de cores, texturas e disposição no ambiente.

A cadeira que você usa para trabalhar é ergonômica?

Ergonomia (ou “fatores humanos”) é a disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema, e também é a profissão que aplica teoria, princípios, dados e métodos para projetar a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema.

Postura correta ao sentar-se na sua cadeira de trabalho sol longo de um dia todo

arina araujo postura correta ao se sentar mdurante o dia de trabalho

Como reconhecer uma cadeira ergonômica? Talvez você não saiba, mas permanecer sentado por muito tempo causa lesões na estrutura da coluna, o que dá origem as dores e problemas nas costas. Seja no ambiente de escritório, no consultório ou na fábrica realizando todo o trabalho em máquinas, a cadeira ergonômica é importante para manter a saúde e a boa postura.

Atente-se para os fatores:

Altura e estrutura do assento: o assento deve ser liso, levemente inclinado para trás e facilmente ajustável, para que a altura atenda perfeitamente ao utilizador da cadeira;

Largura e profundidade do assento: uma cadeira ergonômica deve ter profundidade e largura suficientes para suportar o utilizador com todo o conforto possível;

Suporte lombar: é importante que o encosto ou suporte permita o encaixe das costas com proteção da coluna, exigindo menos esforço da serviçal para manter-se em boa postura;
Apoio de trás: o apoio traseiro (encosto da cadeira) deve ser ajustável, tanto para frente quanto para trás;

Material do assento: o material do assento e do encosto deve ser acolchoado para manter o conforto mesmo em períodos extensos de trabalho;

Apoio dos braços: quando a cadeira ergonômica possuir apoio para os braços, estes também devem ser ajustáveis;

Rodízios: a cadeira ergonômica deve rodar facilmente, sem esforços, não importando o tipo de piso;
Estabilidade: ambientes de trabalho precisam de cadeiras ergonômicas de boa estabilidade, para suportar o dia a dia do ambiente laboral. Para isto, uma base contendo cinco pontos (ou cinco estrelas) é recomendável;

Selos e certificados de qualidade: um produto que segue as normas de ergonomia ABNT, geralmente traz na embalagem um selo de conformidade.

Pirâmide dos bons hábitos para uma melhor qualidade de vida

Para que sua lombar esteja sempre “em dia” é importante reparar se você está objetivando um cotidiano saudável de um modo geral, reparar como você está vivendo sua vida em relação aos dias da semana, se está vivenciando bons hábitos que podem interferir na sua qualidade de vida como um todo. Repare na pirâmide de bons hábitos e modifique o que julgar necessário:

arinaaraujo piramide bons habitos quantos dias da semana você dedica para as coisas que precisa fazer para sua saúde ficar ok

arina araujo

A Psicologia, a felicidade e a Arquitetura

Nos próximos artigos, traremos um estudo sobre arquitetura e design de interiores relacionado à felicidade com o viés da psicologia, conforme a gabaritada profissional Angelita Corrêa Scardua, Psicóloga, Mestre e Doutoranda pela USP (SP). Especializada em Desenvolvimento de adultos, na experiência de Felicidade e nos estudos da Psicologia Social.

De acordo com Angelita, a idéia de lar implica, em boa parte, a expressão da nossa individualidade, o desejo de afirmarmos nossa condição social e cultural e a representação dos nossos valores pessoais.

No campo da Psicologia há estudos sobre os efeitos do ambiente na vida das pessoas, e vice-versa, desde aspectos genéticos, ligados a neurociência da percepção, até fatores subjetivos como as características de personalidade subsidiadas por formações inconscientes.

Uma vertente interessante e a princípio mais palatável para não psicólogos, são os estudos no campo da Psicologia Ambiental, que se baseiam nos mecanismos evolutivos que favoreceram a constituição da espécie humana. Sabe-se hoje, por exemplo, que a sensação de conforto e felicidade no que diz respeito ao habitar vincula-se aos instintos primários que nos leva(ra)m à luta pela sobrevivência.

 A busca de refúgio

A sobrevivência de nossos antepassados dependia da capacidade de encontrar lugares seguros, que fornecessem abrigo dos elementos naturais e proteção contra os predadores.

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Hominídeos protegem-se dentro da caverna

Assim, tendemos a preferir lugares acolhedores, que dão a sensação de conter, abrigar, acolher, como ocorre com telhados de muitas águas e variações na altura, com moradias de espaços compartimentados e privativos.

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Projeto ‘Lago Sul’, Arina Araújo utiliza estruturas robustas de telhados na residência.

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Living, espaço de convivência dentro de um lar compartimentado, projeto Arina Araújo

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Sala espaçosa, acolhe confortavelmente a família na proteção da casa. Projeto Arina Araújo.

arina araujoSala privativa para refeições formais traz mais conforto e exclusividade. Projeto Arina Araújo.

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Academia, dentro de uma casa onde cada coisa tem o seu lugar privativo. Projeto Arina Araújo

arinaaraujoEspaços privativos dentro de um mesmo quarto de hotel. Projeto Arina Araújo

Tanto é que a tendência dos lofts, por exemplo, por mais que tenha sido enaltecida pela mídia especializada, não logrou tornar-se uma regra de moradia, nem mesmo para uma minoria significativa.

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Loft: quase nenhuma parede divide fisicamente os ambientes não compartimentados.

Arquitetos como Frank Lloyd Wright são mestres em criar habitações cheias de espaços com essa característica de “refúgio” de tal modo que já seus projetos já viraram princípios na disposição dos móveis e escolha de materiais – como madeira, pedra e outros – que promovem a sensação de conforto e segurança.

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Wright começou a construir a casa em 1911

arina araujoMadeira no décor promove sensação de conforto. Projeto Arina Araújo